Ketu em Leão em 2026: quando o ego relaxa e a verdade começa a aparecer

A vida segue.
Os compromissos continuam.
As pessoas ainda te reconhecem pelo lugar que você ocupa.

Mas, por dentro, algo começa a se soltar.

Não é tristeza.
Não é crise evidente.
É mais sutil do que isso: aquilo que antes fazia sentido já não preenche da mesma forma.

No Jyotiṣa — a astrologia védica — esse tipo de movimento interno é simbolizado por Ketu.

Quem é Ketu no Jyotiṣa?

Ketu não é um planeta físico.
Ele é um ponto invisível no céu, ligado aos eclipses — momentos em que a luz se interrompe e a percepção habitual falha por um instante.

Por isso, Ketu não fala de crescimento externo, conquistas ou expansão.
Ele fala de encerramentos internos, de desapego, de ciclos que já ensinaram o que tinham para ensinar.

Ketu não força perdas.
Ele apenas faz com que certas coisas parem de fazer sentido.

E quando algo perde o sentido, naturalmente começa a cair.

O que significa Ketu em Leão?

No Jyotiṣa, Leão representa o centro da identidade.

É o lugar do “eu sou”:

  • quem eu acredito ser,

  • o papel que desempenho,

  • a imagem que sustento,

  • a forma como sou visto e reconhecido.

Quando Ketu transita por Leão — como acontece em 2026 — algo muito específico começa a acontecer:

você pode continuar ocupando o mesmo lugar,
mas já não se reconhece totalmente nele.

Não é perda de poder.
É desidentificação.

O ego começa a relaxar.
E, com ele, a necessidade constante de provar quem se é.

Ketu em Maghā: soltando heranças invisíveis

A primeira parte desse trânsito acontece em Maghā, uma região do céu ligada à ancestralidade.

Maghā fala de:

  • heranças familiares,

  • expectativas transmitidas,

  • papéis assumidos sem escolha,

  • lealdades invisíveis ao passado.

Com Ketu em Maghā, muitas pessoas começam a se perguntar, mesmo que sem palavras:

“Isso é realmente meu… ou eu apenas herdei?”

Esse movimento pode aparecer como:

  • cansaço de repetir padrões familiares,

  • questionamento de tradições que já não fazem sentido,

  • necessidade de honrar os ancestrais sem continuar preso a eles.

Aqui, Ketu não rompe por rebeldia.
Ele libera vínculos inconscientes.

É o momento em que se entende que respeitar o passado não significa viver a vida dele.

Ketu em Pūrvaphalgunī: quando o prazer perde o brilho

Depois, Ketu segue para Pūrvaphalgunī, uma região associada ao prazer, ao amor, à criatividade e à troca.

Esse movimento costuma ser mais silencioso — e, justamente por isso, mais desconcertante.

Aquilo que antes dava prazer começa a parecer raso.
O que antes encantava começa a cansar.

Podem surgir:

  • relações que perdem o brilho,

  • projetos criativos que já não alimentam,

  • exaustão de agradar, seduzir ou performar.

Não porque o prazer seja errado.
Mas porque prazer sem sentido não sustenta o ser por muito tempo.

Ketu em Pūrvaphalgunī pergunta, quase em silêncio:

“Isso te nutre…
ou apenas te distrai?”

O fio invisível desse trânsito

Ketu em Leão, passando por Maghā e Pūrvaphalgunī, não fala de perdas materiais.

Ele fala de algo mais profundo:

a dissolução de identidades sustentadas pelo passado, pelo prazer ou pelo reconhecimento.

  • Em Maghā, o ego sustentado pela herança.

  • Em Pūrvaphalgunī, o ego sustentado pela validação e pelo prazer.

Nada precisa ser destruído.
Mas muita coisa pode ser solta.

 

E se surgir um vazio?

É comum que Ketu traga uma sensação de vazio.

Mas esse vazio não é depressivo.
Ele é o espaço que se abre quando algo antigo vai embora — e o novo ainda não chegou.

No Jyotiṣa, esse espaço é visto como campo fértil.

Porque quando o ego relaxa, algo mais essencial pode emergir.

 

Ketu em Leão em 2026 não vem para tirar o seu lugar no mundo.
Ele não vem para derrubar estruturas nem criar rupturas dramáticas.

Ele vem para algo muito mais silencioso — e muito mais profundo.

Ketu vem para lembrar que você não é o papel que ocupa.

E quando essa lembrança acontece,
a vida deixa de ser performance,
o passado perde o peso,
o prazer deixa de ser distração.

O que fica…
é o que é verdadeiro.

E isso, uma vez sentido,
não pode mais ser esquecido.

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